Aqui os dias passam a correr. Tudo é rapidamente vertiginoso. Ainda estamos na fase de descoberta da cidade e da vida parisiense e temos tido boas surpresas, mas também más... Ontem, pela primeira vez, ponderei se a decisão de sair de Portugal e abandonar uma profissão que tanto gostava, teria sido mesmo boa. Comecei a sentir correr-me nas veias um nacionalismo que desconhecia mas, hoje, já de cabeça fria, só sinto tristeza por ter um país que não me deu oportunidades nem a qualidade de vida que aqui encontrei....
Para quem "desdenha" da gastronomia francesa...a nossa Páscoa vai ter:
Petits Fours
Crepes
Framboesas
Salmão fumado
Queijos franceses
Ovos Kinder, claro!
Eh.. e em casa de transmontanos nunca pode faltar o famoso e típico salpicão!!! Esse foi mesmo o único que ficou dos que a mami mandou, hehehe, e é bem melhor do que o folar:)
Este vai ser o primeiro ano que vamos passar a Páscoa longe dos pais e manos, mas, em contrapartida, vamos ter a visita dos primos da Alemanha e estar com os amigos daqui.
A nossa casa não é muito grande, mas para aquilo que se consegue encontrar em Paris e nos subúrbios, não está nada mal - tem um quarto, a sala, sala de banho, wc, cozinha, uma pequena despensa e hall de entrada, bem como uma varanda com vista para o Sena. O grande problema é estar no 93, um dos departamentos com pior fama do "banlieu", um bairro "rouge" como lhe chamam aqui. Apesar disso, vive-se bem aqui. A gare dos comboios é perto, temos aqui banco, correios, a câmara de Villeneuve-la-Garenne é em frente a casa, do outro lado do rio, temos farmácia, supermercados, restaurantes... Daqui a Paris são 15 minutos e bem perto fazem uma das maiores feiras da região de Paris. Há zonas melhores, mas esta não é tão má como dizem.
Acho que os primos vão gostar.
Queremos mesmo que eles se sintam bem e gostem de passar aqui uns dias.
Planeamos já ir fazer uma visita pelos Campos Elísios, Concorde, Louvre, Tuileries, até Trocadéro. Gostavamos ainda de ir a Monmarte, à Bastille, à feira de Trone, perto de Bercy, enfim...vão ser poucos dias para tudo o que gostavamos de fazer!
Estão 24º e o sol brilha enquanto escrevo estas palavras. Ao meu lado o Sena corre brilhante, os barcos cargueiros passam a toda a hora vindos da cidade luz, que aqui se anuncia bem perto pelas altas torres de La Défense, de um lado, e a Torre Eiffel, do outro lado.
Aprecio cada raio de sol, aqui sentada na varanda enquanto me lembro que, ainda há bem pouco tempo, pensava que tudo isto seria um sonho impossível. Arriscar nem sempre tem resultados maus e hoje sinto que usufruo de uma qualidade de vida que imaginei estar reservada aos priveligiados nascidos com dinheiro. Não é nada de extraordinário, mas é realmente muito bom sentir que temos tempo para nós:)
Ora, ora, parece que me descobriram a careca e identificaram a autora do blog! C'est pas grave:)
O tempo foi passando e não voltei aqui a dar novidades, mas as coisas correram melhor do que o esperado. Isto havendo tempo e paciência, o que não faltam são "estórias" para contar. Começando pelo início...
Cheguei aqui no dia 31 de Dezembro, sem perspectivas reais de trabalho. Na verdade, para ser sincera, fiquei na expectativa do que isto iria dar, vivendo o dia-a-dia. A passagem de ano foi num restaurante/bar tuga que vim mais tarde a descobrir que não tem grande fama, mas não correu mal. Foi apenas aborrecido, visto que estava longe de tudo e todos os que mais amo. Bem, não posso ser ingrata e esquecer a Martinha, para ela foi bom ter alguém com quem passar a meia-noite e celebrar o novo ano.
O emprego veio apenas no dia 4 de Janeiro e até lá foi uma ansiedade louca. O Pedro veio mais tarde, já eu trabalhava e conhecia algumas das linhas de metro mais importantes da cidade. Contamos com a ajuda de amigos, família, colegas de trabalho e até desconhecidos. Para mim, isto, foi algo completamente surpreendente!
Fomos recebidos e acarinhados por muitos portugueses, luso descendentes, franceses e colegas brasileiros. Apresentaram-nos pessoas que nos podiam ajudar a encontrar casa, mostraram-nos alguns locais interessantes, deram-nos dicas para o dia-a-dia...
Entretanto, para quem não sabe, estive no papel de entrevistada! É verdade, uma jornalista francesa, que vive em Madrid, entrevistou-me a propósito da crise em Portugal e da súbita "fuga" dos jovens portugueses para outros países europeus, como a França. Hei-de procurar isso e postar aqui.
Nestes meses tivemos já oportunidade de conhecer melhor Paris, que é a cidade mais linda do mundo. Aqui pode viver-se a cidade quase gratuitamente. Quase. Mas se o Sarkozy se lembra começa a cobrar taxa pelas fotos tiradas junto aos monumentos e jardins da cidade...
A nível económico, as coisas não podiam ser melhores. Apesar da habitação ser super cara, com preços médios por metro quadrado superiores aos de Nova Iorque, o resto é comparável a Portugal, com a vantagem do salário ser, no mínimo, o dobro...
Saudades do meu país, não tenho. Do emprego que tinha, também não. Aliás, descobri que sou muita preguiçosa, eu gosto mesmo é de não fazer nada, mas como não nasci rica, tenho de trabalhar. Felizmente, e graças aos amigos, arranjamos um trabalho porreiro, de 6 horas, passa a voar e é relativamente bem pago.
Claro que se tivesse dinheiro e pudesse não fazer nada, era ouro sobre azul! E como tenho de trabalhar, por hoje a história fica por aqui, com a promessa de voltar mais assiduamente e contar as pequenas historinhas do nosso dia-a-dia. É que aqui na França ganha-se, e em Portugal gasta-se:)
Esse aqui é muito bom: Livros Audio em francês. Tirei do Petit Journal de la Porte Dorée:)
Como já tinha dito, comecei a ler a biografia do Paulo Coelho em francês. Entretanto comprei dois livros de aprendizagem autónoma: Tout Seul 1 e Tout Seul 2. Ontem comecei a fazer os exercícios do volume 1. Inicialmente era tudo fácil, mas depressa complicou... Tenho a ajuda de uma gramática e com esforço penso que será uma boa forma de me ir acostumando à língua.
Tenho boas expectativas, acho que nunca estive tão optimista!
Para quem, como eu, anda a tentar aprender um pouco, deixo aqui uma lista de sites úteis: Site com recursos grátis para quem quiser aprender. O site da Embaixada de França no Brasil tem muita informação. Quem tiver sugestões, agradeço:)
Tudo parece começar a encaminhar-se. Relativamente. Certa é a nossa ida, que se aproxima a passos largos. Já iniciei alguns contactos e devo dizer que sinto um apoio tão grande que nem sei se mereço...
Talvez o meu namorado vá primeiro, há essa forte possibilidade de ir já no dia 15 de Dezembro, mas falta uma confirmação oficial. Se for ele, terá de ficar com a minha amiga e os dois terão de procurar casa. Num cenário positivo, em que ele encontre logo uma casa para o início de Janeiro, posso ir eu, as malas e os dois gatos. Caso ele não consiga, das duas uma, ou espero, ou deixo os gatos com os meus pais e vou ter com ele, fico em casa de familiares e ajudo na procura.
Há ainda a possibilidade do trabalho para 15 de Dezembro falhar e aí terei de ir eu em Janeiro e procurar trabalho e casa, para que ele possa ir com os gatos.
Os gatos, os gatos. Todos os dias são tema de conversa e às vezes tenho a sensação que ninguém nos entende. Os meus gatos são diferentes, só estão habituados a nós os dois, dormem muitas vezes connosco e quando não dormem, como tem acontecido, berram, (berram mesmo), à porta do quarto. Saltam para o nosso colo como os cães, respondem quando são chamados, respondem quando falamos com eles, andam sempre atrás de nós. Como posso deixá-los num meio desconhecido, com pessoas desconhecidas?
Eles aninham-se ao nosso lado como crianças, esticados, a esfregar o focinho na nossa cara, a dar turras com a cabeça, a fazer festas com as patas... não tenho palavras para explicar. Quem pode resistir a estes dois?
Entretanto, no veterinário soube que o chip, desparasitação, vacinação e documento para a União Europeia fica a 30 euros por gato. As caixas de transporte andam entre os 15 e os 30 euros, dependendo do tamanho.
O conselho do veterinário foi que viajássemos nos mini-autocarros que fazem um serviço semelhante ao do táxi, levam a pessoa, as malas e animais de estimação e deixam à porta de casa. De avião tem de se informar com antecedência e depois é todo o stress do embarque, os gatos no porão, depois ir buscá-los, apanhar o comboio....e acho que em termos monetários não compensa.
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